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domingo, 17 de janeiro de 2010

Down

Em momentos como esse que eu me lembro do motivo de não ter deletado esse espaço. Momentos em que se está pra baixo e se quer, apenas,desabafar. E não seria mais fácil procurar alguém pra ouvir tudo o que se tem pra dizer? Não pra mim. Não gosto de encher os ouvidos alheios com esse tipo de assunto. As pessoas já têm seus próprios problemas para lidar e não precisam ouvir mais. Além disso, não gosto nem de me fazer de "coitadinho", muito menos que me achem um. Não gosto de pena.
Então, o que resta? escrever aqui, derramar uma porção de palavras pra tentar exorcizar os sentimentos negativos e me sentir um pouco mais leve.
Eita deprêzinha que não quer passar... É praxe quase todo fim de ano eu ficar meio melancólico, por causa do clima dessa época. Mas isso já vem durando mais tempo que o usual.
Tento achar explicações. A vida anda monótona? É, um pouco. Decepções? Realmente, 2009 foi um ano em que quebrei a cara algumas vezes, mas até aí, normal, coisas da vida. Frustrações? É, algumas. Muitos planos que foram por água abaixo. Muita coisa em que depositei confiança e que acabou não dando em nada. Além de objetivos de vida que demoram muito pra se concretizar e que requerem uma persistência enorme, e o retorno parece que nunca vem... Problemas afetivos? pode ser também, até porque nunca fui lá muito sortudo nesse aspecto... acho que sempre acabo escolhendo as mulheres erradas, ou as certas nas horas erradas. E, no fim, minha amante continua sendo a doce solidão (essa não me trai nunca!). Problemas financeiros? Realmente, não ando na minha melhor fase, monetariamente falando. Problemas profissionais? ando muito decepcionado com minha vida profissional, isso é verdade. Decepcionado a ponto de recomeçar tudo. Do zero. Daí os problemas financeiros.
Conclusão: acho que tudo isso junto. Mistura tudo, bate no liquidificador e pronto: Eu na merda. Ou quase lá.
Quase lá porque felizmente algumas coisas me fazem esquecer momentaneamente: jogar conversa fora, tocar. Nessas horas de convívio social ou em cima do palco ou em estúdios, me esqueço desses problemas de tal forma que acho que nem parece que ando me sentindo assim. Ponto positivo, então. Além disso, significa que não estou no fundo do poço, já que as coisas simples e leves ainda me fazem sentir bem. Já estive no fundo do poço, na sarjeta, e sei como é. Por isso sei que ainda não cheguei lá. Ainda bem.
O problema é estar a sós consigo próprio. Nessas horas, nada lhe distrai. Nada lhe faz esquecer. Não há mais disfarces, não há mais máscaras. É você e seus problemas. Encare-os ou deixe-os consumirem você. E a gente vai encarando, e a gente vai lidando, e tem horas que cansa, mas aí seguimos em frente. Fora que tristeza é um sentimento bem egoísta, como já li em algum lugar alguém dizendo isso: nessas horas, você só pensa em si próprio, na sua situação. Acaba esquecendo que existem pessoas em situações muito piores. Você só enxerga o seu umbigo.
Acho que, no fundo, tudo isso é só desejo de que algo dê certo. Em qualquer um dos aspectos citados acima. Qualquer um, qualquer coisa.
Ok, temos 12 meses pela frente (um pouco menos que isso, na realidade). Muito trabalho a fazer. Espero um 2010 menos frustrante, melancólico e reclamão (mesmo que eu só reclame pra mim mesmo). Vamos lá.

sábado, 28 de novembro de 2009

Expectativas e frustrações

Aprendi que não se deve colocar expectivas sobre uma outra pessoa, seja ela quem for. É uma maneira segura de se evitar decepções futuras. E isso porque outra pessoa é exatamente isso: OUTRA pessoa. Com convicções diferentes, opiniões diferentes, personalidade diferente, uma visão de mundo diferente. Ou simplesmente, diferente. Da mesma forma, não é bom querer que alguém seja exatamente do jeito que nós queremos que seja. Além das diferenças acima, as pessoas mudam. Seria egoísmo querer que alguém seja sempre do jeito que gostaríamos que fosse, da mesma forma que também é egoísmo querer mudar alguém.
E esses são erros frequentes em relacionamentos. Namoros, noivados e casamentos muitas vezes terminam por isso. Amizades, também; e o que dizer das relações entre pais e filhos, que começam a ficar mais difíceis quando estes últimos chegam à adolescência? Ficam tensas assim também pelo mesmo motivo: expectativas.
A adolescência é uma época de afirmação e consolidação da personalidade, de escolhas. Muitas vezes os pais traçam de forma unilateral o futuro dos filhos - "o que eles serão quando crescerem". Põem nisso uma enorme expectativa, frustrada porque os filhos nomalmente tomam suas próprias decisões, muitas vezes totalmente opostas ao que os pais desejavam destes. E isso é bastante natural, pois estamos falando de outros seres humanos. Da mesma forma que é louvável se preocupar com o futuro de seu rebento, é necessário perceber que não se é o dono deste futuro.
Não podemos programar uma outra pessoa. Não podemos fazer escolhas por ela. Não devemos decidir nada do que se refere à vida e o futuro de ninguém a não ser nós mesmos. Cada um tem seu anseios, cada um tem seus objetivos, cada um tem seus sonhos, sua individualidade.
Muitos problemas de relacionamento seriam evitados se aceitássemos os outros como são, com suas qualidades e defeitos - a boa e velha tolerância. E a falta dela é a causa para muitos problemas no mundo, muito maiores que qualquer problema de relacionamento pessoal...
Ou seja: acredito que tudo correria bem se adotássemos esse lema: viva e deixe viver. Sábio foi quem primeiro disse isso.
Vou tentar adotar isso pra minha vida.

domingo, 11 de outubro de 2009

Será só imaginação?

Isso aconteceu com um amigo meu. Tenho permissão dele para divulgar, mas não usarei nomes reais, pois essa foi a condição. É basicamente algo que me fez refletir muito ultimamente sobre mim mesmo, tamanha a identificação que senti com essa história, que tentarei narrar a seguir:
José Silva Filho está apreensivo. Escuta o refrão da canção "Será", da Legião Urbana, e isso o diz muito num momento decisivo de sua vida. O refrão inteiro dessa canção o lembra o atual momento: definições e indefinições. Principalmente em relação a um caminho que, não tem certeza se escolheu ou se foi escolhido.
De uns tempos pra cá , era nítida a sua frustração, a falta de um foco, mil projetos, que mudavam incessantemente. A cada semana um novo plano, a cada dia mais frustrações. E frustrações com o quê?
Profissionais. Nada do que fazia o agradava, ou não conseguia agradá-lo por muito tempo. Primeiro a frustração da profissão na qual se formou. É uma profissão bacana, mas se convenceu que não é para ele. A partir daí, concursos públicos. Mais frustrações.
A coisa foi ficando desesperadora: a procura de algo ao qual se agarrar, uma tábua de salvação, um norte. Mas nada satisfazia. Não conseguia gostar de nada.
Para ele o lance sempre foi música. Essa veia sempre foi forte. Desenhava e pintava antes de arranhar os primeiros acordes, mas confessou certa vez que isso não o satisfaz por completo, não preenche tanto o seu ser quanto ela. Meio melodramático, mas é por aí...
Daí pensou: "quer saber? foda-se!!! vou investir mais tempo nisso. Vou levar mais a sério. Pois pra mim não tem outra coisa. Não tem outra coisa"!
São coisas que inegavelmente dão mais dinheiro e - dependendo da profissão - status os trabalhos mais convencionais, mas não consegue se imaginar o resto da vida num escritório, com a maçante e repetitiva rotina dos serviços burocráticos (já trabalhei com isso também, sei como é). Fora a sensação de que talvez tenha passado toda a faculdade se enganando, iludindo a si mesmo que seria a sua área, que viveria e trabalharia nisso até o fim. Também sei como é isso.
Mas música é algo que, para alguém como ele, que a ama de verdade, se é algo maravilhoso pra se trabalhar, também é algo que assusta. Pela indefinição. Pela instabilidade. Pela falta de apoio familiar. Totalmente à deriva. Vale a pena arriscar?
Para ele, nesse momento que conclui que não gosta de mais nada e nunca faz algo que não gosta de boa vontade, acredito que sim. Pode mudar de idéia depois, mas preferiu tentar. Já que, ao que parece, só existe uma vida, pra que desperdiçá-la fazendo o que os outros querem que se faça? por que nega a si mesmo? A pessoa é ou não é para o que nasce?
Resolveu tentar. Mesmo que não consiga, pelo menos quer deixar como legado a luta pelo que se acredita - a ética para consigo mesmo, tão violentada pelo nosso capitalismo selvagem, que normalmente ceifa talentos em detrimento de algo mais concreto que só o dinheiro rápido e fácil e em grandes e perigosas quantidades pode te dar.
Talvez tenha uma visão muito romântica e ingênua de mundo. Talvez precise de uns tropeços pra aprender a ter uma visão mais prática e burocrática da vida, como todo nós, em algum momento. Tavez precise realmente dos 5 mil por mês daquele cargo público que já almejou, e colocar na cabeça que ISSO é bom. Afinal, vai trabalhar pouco e ganhar muito, e isso é bom.
Mas no momento preferiu arriscar naquilo que é, naquilo que gosta. Vai trabalhar muito pra conseguir se manter, é um caminho difícil e incerto. Mas ao menos fará o que gosta, e de boa vontade.
Realmente admiro muito isso. Eu queria ter essa coragem. Ou ingenuidade, vai saber. Talvez um dia tenha...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Idéias/ideias/idêias


As idéias, se tivessem existência física, tangível, seriam os mais caprichosos dos seres, pois só aparecem quando lhes dão na telha. Seriam criaturas rebeldes, nômades, senhoras de seu destino errante e incerto.
E tudo isso pra dizer que estou sem idéias pra escrever algo aqui...
Mas eis que algo me vem à cabeça: idéias agora não tem mais acento.Pelo menos esse post servirá para alguma coisa: lembrar ao incauto ou incauta que por um acaso do destino caiu aqui neste blog de que "idéia" agora se escreve "ideia", mas continua se lendo "idéia", como se o acento ainda lá estivesse. Mas eu não consigo ler "ideia" e imaginar "idéia". Sai algo como "idêia", mas não poderia imaginar isso, pois "idêia" tem acento, e "ideia" não tem acento.
E tudo isso pra dizer o quanto detestei essa reforma ortográfica...
Reforma ortográfica legal seria aquela que deixasse tudo mais fácil, e não dificultar tudo mais ainda. Se é pra tirar acento, faz que nem na língua inglesa: tira logo tudo. Problem solved. Muita gente que tem dúvidas sobre acentuação agradeceria, garanto. Mas não: agora nos perguntamos se determinada palavra perdeu ou mantém o acento...
Reforma boa aboliria o uso de "ch" no lugar do "x" e do "s" no lugar do "z". Aboliria o "ç" e usaria-se só "s". Ah, e não nos esqueçamos dos 4 tipos de "por que".Por que existem tantos tipos de Por que?
Será que esse "por que" que usei na frase anterior está certo?
Estaria eu encabeçando uma cruzada pelo empobrecimento linguístico, como alguns intelectualóides, aqueles que adoram polemizar, poderiam me acusar? De forma alguma. Uma reforma do tipo aproximaria a língua escrita da falada. Aproximaria a "norma culta" daquilo que o povão fala. Tornaria tudo mais prático. Democratizaríamos a escrita. Todo mundo escreveria bem.
Se um dia eu for presidente, farei uma reforma dessas. Uma pena que não quero me candidatar, então só me restam os devaneios utópicos e a vocês, a esperança que um dia eu mude de idéia, quer dizer, de ideia.
E tudo isso porque estava sem idéias, digo, ideias.
Quando vou me acostumar?

sábado, 29 de agosto de 2009

O que é ser bem-sucedido?

Bem sucedido é quem sabe quem é
bem-sucedido é quem sabe o quer
e pra onde vai.
Bem-sucedido é quem persegue seu real objetivo
e não deixa ninguém cuspir em seus sonhos.
Bem-sucedido é quem passa por cima de um "não"
Mesmo que esse "não" seja do mundo.
Bem-sucedido é quem supera a dor
supera o rancor
Perdoa e pede perdão- principalmente ao Criador.
Bem-sucedido é quem supera qualquer adversidade
Sem métodos violentos, mas com gentileza e humildade.
Bem sucedido é quem luta pacificamente
pela própria felicidade.
Lute.
Seja bem-sucedido.

sábado, 15 de agosto de 2009

AUTO-EXÍLIO

Em certos momentos
Frequentes
Recorrentes
Sente-se em casa
Senta-se em casa
Isola-se de tudo
e de todos
Fazendo suas próprias coisas
Ou talvez coisa alguma
Sai da toca em esparsos momentos
Ciclos de abertura e fechamento
Correndo sério risco
De ficar no esquecimento
(Just as soon as I belong, then it's time I disappear)
Anda com todos e com ninguém
Pertence a todos os grupos e a grupo algum
A todo lugar e a lugar nenhum
(Nowhere man)
Está em meio a todos
Está à parte também
Num contemplamento silencioso
Quase-meditação, quase zen
Onde estão seus amigos?
Onde estão seus amores?
Quais são seus objetivos?
Quais serão suas dores?
Aprecia companhia
E precisa de solidão
Por vezes até aprecia
O sabor dessa contradição
Não é de todo melancolia
Tem apreço pela alegria
A piada sarcástica
Quebrando mudez estática
Surpreendendo
E voltando ao princípio
Ao acorde inicial
Ao tom original
Bares, conversas, festas, visitas
Quarto, livros,canções,escrita
sai da toca
Volta
Pra (de) onde pertence(?).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

MONEY, QUE É GOOD NÓIS NUM HAVE...

"Dinheiro não traz felicidade." Frase manjada. Para muitos, uma verdade incontestável. Para outros, uma grande balela. Quem está com a razão? O dinheiro pode nos fazer mais felizes?
Acredito que sim e não. Essa é mais uma das coisas ambíguas de nosso mundo, com toda certeza.
Vivemos num mundo capitalista e nele há uma lógica simples: acúmulo de capital. Daí vem o acúmulo de bens, que leva à ostentação e a busca por mais e mais bens, virando um ciclo. A busca por mais símbolos de poder financeiro acaba sendo a razão da existência de algumas pessoas, que são imensamente invejadas por muitos.
Ostentação é para poucos.E todos nós sabemos disso.
Sob essa lógica,muitos crescem imaginando que o objetivo maior da vida é o acúmulo de bens e riquezas. Porém, além de um esvaziamento do sentido de vida, é uma lógica extremamente artificial, já que, naturalmente, precisaríamos apenas de comida, água e abrigo.
Mas o progresso material tem sua importância. Já que vivemos num mundo capitalista, nossa sobrevivência e de nossos descendentes acaba atrelada ao dinheiro.
A questão é o grau de importância que se dá ao dinheiro nessa equação. Este não deveria ser um fim, mas um meio. Se todos enxergássemos dessa forma, talvez muitos dos problemas gerados pela ganância seriam menos complicados de se resolver.
É diferente querer uma renda boa para comprar objetos de luxo de querer essa mesma renda para dar sustento e condições de vida dignas à família. É diferente querer ostentação e coisas fúteis que, no fundo, não fazem diferença, de querer ter o básico, o essencial para viver.
O dinheiro deveria ser um instrumento. Deveríamos controlá-lo, e não o contrário. Nem subestimá-lo e nem superestimá-lo. Há muitas outras coisas no mundo que podem nos trazer momentos de felicidade e paz de espírito. E o melhor: muitas, a imensa e esmagadora maioria, são de graça.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

ANSIEDADE


"Embora a ambigüidade nossa torne tudo mais interessante pela multiplicidade de opções e interpretações, por outro lado nos aprisiona na gangorra da indecisão. Sofremos essa divisão entre o querer fazer e o que pensamos que devemos fazer"
Vi esse pequeno parágrafo em uma coluna de uma revista especializada em guitarra, e achei fantástico. A coluna em questão trata sobre a ansiedade, um fenômeno cada vez mais comum no nosso mundo moderno e globalizado.Estamos cada vez mais ansiosos, isso é verdade: ansiedade para sair da casa dos pais (se for o caso), ganhar dinheiro, ter um emprego estável, uma casa própria, um carro novo,um computador potente,um DVD de última geração, e etc.Como podemos ver, grande parte dessa ansiedade moderna é em relação a bens materiais.
Apesar de estar escrevendo essas coisas, não sou imune a isso: sou tão ansioso quanto todas as outras pessoas do mundo.

É engraçado como de vez em quando chegamos à conclusão de que todas essas pressões do cotidiano não nos fazem bem, e contribuem para nos tornarmos cada vez mais psiquicamente doentes. Chegamos a tal conclusão, mas no outro dia é a mesma correria, pois o mundo não pára para nos esperar tomar um pouco de ar, infelizmente.

É por isso, então, que valorizo cada vez mais os pequenos momentos em que a ordem é "ficar de bobeira". ou seja: jogar conversa fora, tocar um violãozinho, e etc. É isso que faz os dias terem um significado além de serem apenas números em um calendário.

Mas agora vou ter que parar esse post por aqui, pois já estou ansioso demais para terminar e quem está lendo também deve estar com uma ansiedade danada de terminar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Álcool ? não, obrigado...

Quem já ouviu uma música que diz: "eu bebo sim... estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo"? É... interessante esse pensamento. Eu, porém, atualmente não compartilho muito dessa opinião. O fato é que não bebo mais. E acredito que essa foi a decisão mais sensata que tomei esse ano. Não que eu fosse dependente de álcool ou que tomasse porres homéricos todo santo dia, ou que entornasse caminhões de cerveja a cada festa que fosse. Muito pelo contrário. Mas sempre alternei fases em que ou bebia pouco, ou começava a tentar exagerar. E é aí que está o problema.
Nos dois últimos anos a coisa estava meio por aí. Quase todo fim de semana uma festa, um churrasco ou algo que fosse, e sempre um vinhozinho aqui, uma cervejinha ali, ou ambos juntos... Houve uma época que sté passei pela famosa "cana", também. Tudo isso muitas vezes de forma moderada, outras vezes nem tanto. Mas pelo menos sempre tive a sensatez de saber a hora que meu limite estava sendo atingido. Poucas vezes extrapolei, e disso não me orgulho nem um pouco.
Mas porque esse cara, que não é e nunca foi alcóolatra, está falando tudo isso? É que mesmo essa "biritinha pouca" já não me faz o menor sentido. Nem sei se fazia. Talvez fosse justamente pra encontrar um sentido, com o perdão da redundância e da repetição dessa palavra. Os motivos que levam uma pessoa a beber são vários: é a tal coisa de beber pra ficar pra ficar mais extrovertido quando se é mais reservado normalmente, beber pra ter coragem de fazer e falar certas coisas que não se faria por timidez em um estado sóbrio, e, se tudo der errado, colocar a culpa no estado alterado do momento... Outras pessoas querem e precisam ser aceitas em um determinado grupo, e, por isso, começam a beber um pouco além da conta (esse, graças a Deus, nunca foi meu caso)... cada um tem seu motivo. Fora os inúmeros casos de agressão e acidentes de trânsito causados pelo consumo exagerado de álcool. Essa substância também potencializa a agressividade em algumas pessoas, e isso pode trazer sérias consequências.
Mas, enfim, isso já não me faz a menor graça e, hoje, vejo sentido em outras coisas. Tenho tentado, inclusive ser mais Cristão, como já fui a algum tempo atrás. Apaguei algumas fotos que mantinha no álbum do Orkut, de uma festa que fui em 2005, o Hallowen do Budda Pub. Bebi pra caramba nessa festa... apaguei aquelas fotos porque já não correspondem mais ao que sou hoje. Aquele cara lá era outro. E estava passando um pouco da conta naquele tempo.
Muita gente, ao tomar conhecimento desssa minha decisão de parar de beber, tem reações diferentes: muitos criticaram, outros (poucos)se afastaram ( e pra esses não tô nem aí), muita gente aplaudiu. Mas não tomei essa decisão pra conseguir aplausos de ninguém. E já fazem quase sete meses que estou nessa.
E pra finalizar esse pequeno desabafo, vai uma frase de uma música da Legião Urbana que trata desse tema, o uso de qualquer substância pra se sentir bem, a busca por uma felicidade instantânea, ilusória e passageira. Essa música se chama a "Montanha Mágica" e o verso que mais gosto é o último, que diz: "deixe o copo encher até a borda, eu quero um dia de sol num copo d´água". O Renato Russo, pelo que sei, estava passando por uma crise de alcoolismo e uso exagerado de drogas na época que escreveu a letra, acho... bem, é por aí. A mensagem do verso é clara.
Torno a dizer que isso que eu escrevi é só um desabafo pessoal, não tenho absolutamente nada contra as pessoas que ingerem bebidas acóolicas (pois estaria sendo hipócrita), desde que estas não façam mal ao seu próximo quando num estado alterado.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A questão do rock na atualidade

Realmente, de uns tempos para cá, o Rock tem me surpreendido bastante. Mas, ao contrário do que essa afirmação deixa transparecer, não é o rock mais atual. As bandas que tem me surpeendido ultimamente são as bandas mais antigas, como o The Clash, por exemplo, o qual muito ouvia falar, mas só tive real interesse em ouvir a algum tempo atrás. E descobri uma ótima banda. Isso sem falar de outras bandas e artistas "dinossauros" que tenho descoberto recentemente. E isso leva a um questionamento: e os artistas mais novos?
Sinceramente, pouco ou quase nada no novo rock chega a me surpreender ou gerar interesse. As únicas coisas um pouco mais interessantes que ouvi nos últimos anos são o Franz Ferdinand e o Strokes, e mesmo assim nenhuma delas me parece que salvará o rock. Talvez eu é que esteja ficando velho, chato, gagá e ranzinza, mas minha opinião é essa: atualmente parece haver um certo vazio no rock, uma certa falta de identidade das bandas, várias aparecem ao mesmo tempo (sintoma da Globalização e de novas tecnologias como a internet), mas parece que praticamente nenhuma delas tem algo substancial para acrescentar. E muitas desaparecem logo em seguida, sem realmente mostrar a que vieram. Nem mesmo as mais "Hypadas".
Hype. Taí mais uma expressão típica dos anos 2000 e do caótico mundo atual, onde a informção surge e se vai como ondas num mar ressacado. Num belo dia, uma banda aparece como a salvação da lavoura, a mais fodona ou algo que o valha, para depois ser notícia de ontem quando aparecer outra banda para ocupar seu lugar de "queridinha da imprensa musical e de MTV´s da vida."
Essa semana mesmo, num dos raros momentos em que ligava a TV na MTV, passou um comercial que dizia: "que Arctic Monkeys, que nada, a banda do momento é blá blá blá ( não me lembro o nome da tal banda do momento,pode?) do Reino Unido e etc. e tal..."
Trocando em miúdos: o Hype em cima de uma passou em detrimento da outra, pelo que pude entender. Mas nenhuma das duas chegou a me surpreender. E é porque são bandas fodonas da nova geração.
Até as bandas nacionais não escapam. De uma fornada de bandas que tem surgido por aí nos últimos anos, poucas me chamaram uma certa atenção, pra ficar nas que tem uma certa projeção: Cachorro Grande, Moptop, Mombojó, Nervoso e os Calmantes. Quatro bandas, dentro de um punhado de tantas que tem aparecido incessantemente. O resto me parece tudo igual, decalcado de velhas e novas fórmulas de parecer "diferente", "antenado" ou "alternativo". Não que as bandas que citei sejam a máxima expressão da originalidade. Muito pelo contrário, dá pra perceber nitidamente em todas elas de onde tiraram suas influências. Porém, e pelo menos para mim, essas bandas utilizam essas influências e fazem o que quase todo mundo anda fazendo de uma maneira um pouco mais... legal. Não sei definir isso.
Não sou pessimista daqueles que dizem que o "rock está morto", até porque também não sou do tipo que veste a camisa de gêneros musicais e os defende com unhas e dentes. Sou apenas um fã de música e, como tal, gosto de refletir sobre seus rumos e emitir meus juízos de valor. E espero, sinceramente,que não só o rock (e a música em geral, já que esse sintoma é bem abrangente) saia desse esvaziamento que estamos presenciando e que voltem a ter substância,voltem a ter graça, e artistas verdadeiros, na melhor acepção da palavra, como Chico Science, Renato Russo, Cazuza, etc. tornem a aparecer.
Nossos ouvidos agradecem.

sábado, 30 de junho de 2007

O recesso,fim, intervalo ou sei lá dos Los Hermanos

Nos últimos tempos, nos diversos veículos jornalísticos que tratam de música - e de rock- um dos assuntos mais abordados é o do "recesso por tempo indeterminado" dos Los Hermanos. Não só nesses meios, mas também em comunidades do Orkut e discussões entre as pessoas que gostam de música de uma forma além da mera audição no som de suas casas.
Bem, apesar de ser fã da banda em questão, acho que muito do que se veicula é muito barulho por pouco;quer dizer, as coisas atingiram, dependendo da onde se lê ou de quem fala, uma proporção quase cataclísmica, se é que essa é a palavra certa pra expressar meu raciocínio. Tem muita gente por aí amargurada, triste, revoltada pela atitude dos caras, pessoas que estão meio que sentindo-se traídas ou algo assim. Eu acho que não é por aí.
Prefiro manter uma opinião menos emocional em relação a esse assunto, opinião que muitas pessoas conhecidas minhas também tem, e que muitas delas chamam, com uma certa dose de exagero, de uma opinião "madura" ou "racional". Exagero mesmo: se eu fosse melhor que todo mundo e, portanto, mais "maduro" ou "racional", não estaria sendo mais um escrevendo e dando opiniões sobre esse assunto... iria falar de política, aquecimento global ou algo assim.
Bem, voltando ao assunto da pauta: eu acho que os caras tem todo direito a um descanso, já que não são ídolos inatingíveis de um panteão superior, e sim seres humanos comuns, cuja diferença é comporem ótimas músicas, ter quatro discos gravados e fazerem turnês por aí. E outra: quem garante que a inspiração faltou porque o "tesão" por estarem tocando juntos também arrefeceu? daí é melhor mesmo dar um tempo a lançar um disco burocrático para cumprir uma obrigação contratual com a gravadora e, portanto, colocarem no mercado um disco ruim, forçado.
E, se a banda acabou, também não acho motivo para desespero. A música brasileira, que já tem muito tempo não anda lá essas coisas, pode ter perdido uma ótima banda, mas sabemos que ganhou ótimos compositores que podem ter uma projeção bacana em suas respectivas possíveis carreiras-solo. Reforçando o que escrevi acima, é melhor que a banda acabe assim, no auge, do que tornar-se paródia de si mesma, como muitas bandas por aí tem se tornado. O lado ruim: vai ter muita banda-clone aparecendo por aí pra preencher o espaço deixado pelos Hermanos... com o aval ou não de gravadoras.
Acho que os caras, enquanto banda, tiveram um papel importante na música brasileira atual, ao misturar de uma forma bacana rock com a MPB, fazendo essas duas vertentes caminharem um pouco mais juntas, e até acabando com preconceitos musicais de antigos roqueiros "true", que acabaram abrindo seus ouvidos para outras formas de música. Mas, eles mesmos disseram:
Todo carnaval tem seu fim.

domingo, 6 de maio de 2007

a falta da leitura e outras questões que ninguém tem paciência de ler a respeito

A foto acima serve a um triplo propósito: primeiro, provocar ao menos um riso pelo insólito da situação (espero que tenha conseguido...). Os outros dois seriam: ilustrar o post com algo relacionado ao tema que tentarei tratar. E, por último e não menos importante: a imagem é uma metáfora de pra onde está indo a educação basileira. É, pra aquele lugar mesmo.
O Brasil vêm atingindo níveis irrisórios, ridículos mesmo, no que tange a aferição de conhecimentos básicos de nossos estudantes em diversas pesquisas realizadas nas escolas. Estamos, infelizmente, entregando ao futuro uma geração medíocre.
Quem trabalha com educação vê de perto essa realidade: pessoas que não conseguem efetuar um cálculo simples e nem interpretar um único parágrafo de um texto, ou que, pasmem, só conseguem lê-lo quase soletrando as sílabas, mesmo estando quase no Ensino Médio! E pra quem está achando que isso só acontece nas escolas públicas, está muito enganado...
Se a escola pública reprova, não recebe verbas do Governo; se a particular reprova, não recebe verbas de outra fonte: os pais. Mas o resultado é o mesmo tanto em uma quanto em outra, vindo daí a explicação de os alunos evoluírem apenas no número da série.
Agora, porque esses alunos vêm tendo esse desempenho tão pífio? as causas são muitas e complexas, e tratá-las por completo resultaria num livro inteiro. Mas uma é fácil de ser identificada: a falta de leitura.
Se o aluno citado acima não consegue interpretar um parágrafo, muitas vezes é porque tem preguiça de lê-lo. Um parágrafo. Quem dirá um livro inteiro. E muita gente acha que ser alfabetizado por completo é só saber escrever e ler meia dúzia de palavras...
Não é segredo que alguém que é habituado a ler desenvolve uma consciência crítica, algo imprescindível para se ampliar a própria consciência de mundo, tão valorizada pelas modernas teorias educacionais...
Mas vivemos num país em que a leitura só é valorizada se for de comentários do Orkut, fotologs e fofocas de novela. E os adolescentes vivem num mundo de hedonismo sem fim, com uma ilusão de que a vida é uma festa que não acaba nunca... Diversão e festas é bom, todo mundo gosta e precisa. Mas tudo têm a sua hora e lugar.
Sim: estou colocando a responsabilidade disso também nos pais. Eles muitas vezes não incentivam a prática de leitura de seus filhos e pior: muitos perderam o controle sobre eles. A noção de limite está cada vez mais se tornando desconhecida. E isso se reflete na escola, nas atitudes e posturas dessas crianças e adolescentes em sala de aula. Quanto a isso, só tenho uma coisa a dizer a esses pais: sinto muito, meus amigos: o professor não pode fazer o trabalho que vocês não estão mais fazendo. Ele já tem trabalho demais tentando sobreviver.
Estamos formando uma geração medíocre, e isso é triste. E, pelo visto, esse país vai continuar medíocre. Muitos profissionais da área da educação já migram para outras áreas, pois não querem se tornar mártires do fracasso de nosso ensino. Os que permancem acima de tudo, são dignos de serem chamados de heróis, ou qualquer outro adjetivo semelhante.
Pois é, para quem leu esse texto até o final, só resta fazer uma coisa: voltar ao início do post e rir da cena insólita da foto e esquecer de todos esses problemas. Pois rir ainda é o remédio mais saudável que existe.


Se é que alguém leu isso até o final.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Mais alguns versos...

Continuando a "semana lírica" desse blog, posto hoje mais alguns versos (na verdade a letra de uma música que compus há algum tempo), que, apesar de um pouco toscos ( já que não sou nenhum Chico Buarque), modéstia à parte considero muito bonitos, e nem sei se consigo fazer algo assim novamente... o tema é reflexão sobre a vida: seus percalços, vitórias, derrotas, começos e recomeços. Tudo o que faz de nossa existência algo singular, ao mesmo tempo tão única e tão parecida com as de outras pessoas.
Espero que os que porventura estejam, de alguma forma, acessando essa página, gostem.
Lá vai:

Tão longe andei pra perceber
o quanto tenho caminhado
tantas vezes errei sem perceber
quando comecei errado

Que os ventos levem as dúvidas embora
e me tragam confiança de troco
que a noite traga os sonhos de volta
e me dê sono tranquilo de novo

Tanto tempo dormi pra perceber
o quanto eu estou acordado
pro mesmo espelho olhei sem perceber
que era eu quem estava quebrado

De um espelho partido pode-se colar os pedaços
meu mundo sempre dá voltas sobre os meus passos
hoje não me sinto tão sufocado
hoje até acordei mais feliz.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Stress

E o mundo gira, e o tempo passa,e sempre tem dias que a gente pensa que esse mesmo tempo está contra nós, e que as vinte e quatro horas são um limite muito exíguo para tudo o que o mundo exige de nós atualmente. E que exigências são essas? que você seja um profissional altamente capacitado e extremamente especializado, ao mesmo tempo em que deve ser também versátil. Que você seja bem-sucedido nem sempre fazendo o que quer e o que gosta, mas sim uma atividade que lhe permita uma renda alta, a qual você não terá tempo pra gastar. Já dizia o tio do Homem Aranha, "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades." e se esses poderes forem grana... A competição está aí, e quem não se esforçar da forma que o atual mundo globalizado exige, vai ficar pra trás. Ficamos então inevitavelmente estressados, sobrecarregados.
Pensando nisso, fiz uns versos já faz algum tempo, mas que acho que vale a pena serem publicados por aqui:


Desabafo de um estressado

Quero ressuscitar a paz que jaz
intranquilamente no caos de nossos dias
fugir dos muros, do cimento que implicam
o pertencimento a uma vida tão vazia
não é a fuga da realidade
que nas poesias já tem algo de clichê
mas um momento de descanso,
de não pensar e não saber
de não ganhar e nem perder
de muito sonhar pra depois fazer

toda a tranquilidade desse mundo
para mim, estressado moribundo
e todo ócio criativo
que torne produtivo
o viver de cada segundo
pra que com a consciência de quem falha
voltar a lutar minhas batalhas
e com a pretensão de quem não erra
aprender a viver nesse caótico
e por vezes cruel
planeta Terra.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Falta de educação

O professor pára em frente à porta da sala de aula. mais uma vez, hesita. Sabe que os alunos mais uma vez não lhe darão a mínima atenção. Sabe que mais uma vez falará para as paredes, as únicas ali que parecem verdadeiramente interessadas no conhecimento que ele tem para passar. O estridente toque para a mudança de horário lhe parece como as sirenes que anunciam os bombardeios em filmes de guerra. E, com isso em mente, sente-se como se estivesse verdadeiramente em uma guerra. Lembra dos comentários do colega que acabara de deixar a sala: " hoje eles estão impossíveis!"
A hesitação continua.
Enfim, decide abrir a porta. Ao entrar, a mesma situação de todos os dias. A maioria de pé, transitando pela sala, muitas vezes correndo e arrastando as cadeiras que estiverem no caminho, outros entretidos com guerras de bolinha de papel ou com qualquer outra coisa que julgam mais interessante para o momento. Nem sequer notam sua presença. E se notaram, não se importam. Diversão antes, durante e depois, essa é a regra. Dane-se o estudo.
Respira fundo. Silenciosamente coloca sua pasta em cima da mesa e procura a caixinha do giz para passar para o quadro o assunto de hoje. Mas não há giz disponível para ele. Então nota que a guerra de bolinhas de papel foi substituída por uma guerra de giz. Um pedaço que não encontrara seu alvo cai próximo a seus pés. E o professor conclui que é com este pedaço que terá que escrever sua lição no quadro-negro.
Mais uma vez olha para a baderna à sua frente. Como resolver essa situação? Trinta e oito alunos dentro de uma sala de aula, trinta e oito personalidades distintas, trinta e oito pessoas que não têm ainda nenhuma noção do que a vida lhes reserva no futuro. E nem se importam com isso.
E ele, sozinho, para lidar com todos eles. É o que a direção da escola espera dele. É o que os donos do colégio querem dele. E é um serviço dos mais estafantes, para o qual é muito mal remunerado. Um contra trinta e oito. E nem deveria haver esse "contra". Não deveria ser assim. Mas era. Era e é.
Se é ele contra trinta e oito, é uma situação desigual. Ou uma batalha desigual, como queiram. Quem o ajudaria? Para a escola, aqueles trinta e oito alunos nada mais são que matrículas e mensalidades. E se não estão aprendendo direito, a culpa é do professor. E se ele não estiver fazendo o seu serviço direito, é rua. Mas como realizar um bom trabalho numa situação como aquela?
Não consegue parar de pensar que aqueles à sua frente são o futuro dessa nação. E um calafrio percorre sua espinha. Uma geração completamente despreparada para assumir os rumos desse país, que vai mais uma vez continuar a ser o que sempre foi.
Sente-se desesperançoso, deprimido,derrotado, impotente,perdido. Mal consegue segurar o pedaço de giz que pelo acaso de uma péssima mira lhe sobrou para escrever no quadro.
E decide não escrever nada. decide não falar nada, não forçar a voz, desiste de continuar com os inúteis pedidos de silêncio. Decide nunca mais dialogar novamente com as paredes. A partir de agora não acreditaria mais na educação, apenas na falta dela. Primeiramente sentiu que estava radicalizando, exagerando, mas depois passou a sentir-se à vontade com os novos pensamentos. Iria abandonar definitivamente a carreira de educador, retirar-se para um lugar isolado, fugir desse país com um futuro incerto.
E uma calma invadiu-lhe a alma. Toda o barulho, toda a balbúrdia já não lhe incomodava mais. Sentia-se leve, como se tivesse encontrado a solução para todos os seus problemas. Estava tudo claro. Tudo decidido. Era a única solução. Chega de pensar nos outros, de agora em diante só pensaria em si mesmo.
E então o sino tocou anunciando o fim da aula e todos os seus pensamentos se desfizeram imediatamente.
Até a próxima aula.
Se é que haverá.

domingo, 25 de fevereiro de 2007


Pois é... a polêmica em torno desse assunto está muito longe de acabar. Algumas das questões mais polêmicas em torno do tema: A pirataria é prejudicial à saúde da nação, já que o resultado econômico da atividade cultural representa, aproximadamente, 6% do PIB brasileiro? A Pirataria é uma prática nociva que dará fim a cultura artística e a propriedade intelectual onde quer que ela exista?A venda de produtos piratas pode ser considerada uma fonte de sobrevivência de (algumas)pessoas que não tem outra perspectiva além de vender Cds e DVD´s falsificados (os camelôs)? ou é apenas o reflexo de um aspecto cultural de nosso povo, o "querer levar vantagem em tudo?"Segundo o site socinpro.org, 'A cada dez Cds vendidos, cinco são piratas, e outros tantos são copiados pela internet. É a chamada Pirataria digital". Opa, peraí: quer dizer que se eu baixar pela internet um Cd que eu não acho em loja alguma eu estou cometendo um crime?
Vejam bem,não estou querendo fazer apologia alguma da pirataria, só estou apontando questões para discussão ( e não são poucas...), com o máximo de imparcialidade possível.
A questão da pirataria no nosso país tem uma causa óbvia: o gritante descompasso entre a renda do brasileiro e o preço de um produto como um Cd, um Dvd ou um software original (Quem aqui nunca comprou um Dvd pirata que atire a primeira pedra!). Ok, então é só baixar o preço desses produtos que a pirataria acabará. Infelizmente eu descobri que a coisa não é tão simples assim...
Esses produtos vão ficando cada vez mais caros por causa da perda dos lucros das empresas, devido ao grande aumento da oferta de produtos piratas... Ou seja: nessa lógica, o produto vai encarecendo por causa da pirataria e as pessoas compram os produtos piratas porque os originais são caros, o que gera um ciclo vicioso gigantesco. Eu mesmo acho um absurdo alguns Dvd´s custarem em média R$ 60,00. Tem um cara ali que vende a R$ 5,00. Tentador não?Vejam só onde a situação vai parar...
Mas tem o outro lado da questão: os tempos são outros, o paradigma das coisas está mudando radicalmente e de uma maneira cada vez mais rápida e vertiginosa: O advento da internet, o acesso rápido a uma quantidade enorme de informação, a digitalização dos filmes e da música, que acabam por não necessitar mais de suportes físicos (o Dvd e o Cd), os sites e programas especializados em compartilhamento de arquivos. Há ainda a questão da música independente, mas isso é coisa para outro post...
Ou seja: está claro que a indústria cultural, nos moldes de hoje, está condenada ao desaparecimento caso não se adapte às características dos novos tempos, que até o momento vêm favorecendo os "piratêros". Porém, isso não é uma resposta definitiva para o problema, já que gera mais um monte de questões: caso haja essa adaptação, como ela será? A pirataria diminuirá ou terá seu fim decretado? E a propriedade intelectual, como ficará? que tipo de cultura a internet está forjando para o futuro? As locadoras de vídeo vão acabar?Eu deixarei de ser considerado um meliante ao baixar discos pela internet?
Pois é, ô mundo complicado, esse...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007


Sobre o big brother



É sempre assim: começa uma nova edição do Big Boster (digo, brother) Brasil,e a reboque vêm as clássicas discussões sobre o que tal programa realmente traz (se é que traz alguma coisa) pra sociedade brasileira. Não pretendo com esse post entrar no âmago da questão, mas numa dessas conversas, um comentário irônico me chamou a atenção: alguém soltou que preferia assistir a um programa com um monte de amebas, já que o teor das conversas dos participantes de todas as edições revela um nível intelectual semelhante ao de um protozoário... ou seja, não haveria diferença alguma. Longe de mim querer compactuar totalmente com a opinião do citado colega sobre o programa, mas não pude deixar de imaginar o que aconteceria se a Globo aceitasse a sugestão e colocasse amebas e outros microorganismos em uma futura edição do programa:
1)Amebas posariam para revistas científicas, aumentando suas vendagens a um nível inédito;
2)Amebas apresentariam programas de televisão, atuariam em novelas e seriam chamadas pra programas de entrevistas, opinando sobre diversos assuntos;
3)Amebas gravariam discos que imediatamente se tornariam verdadeiros best-sellers da fina produção musical brasileira atual;
4)Amebas se tornariam capas de revistas de celebridades:" bomba: a ameba vencedora do último BBB flagrada com o esquitossomo da novela das oito".
5) Trabalhos de biologia utilizariam como fonte cenas do BBB, elevando tal programa ao nível de cultura essencial ao aprendizado escolar, acabando com as discussões citadas acima e frustrando a todos nós que detestamos esse programa; Se isso acontecer,vamos ter que procurar outra coisa pra falar mal...
Se você conseguiu ler esse texto até aqui, deve estar achando duas coisas: que isso tudo é uma lezeira sem limites ou um cenário extremamente surreal. Mas, se observarmos atentamente como as coisas estão no nosso país...
Conclusão: vamos deixar as coisas como estão, pois pode piorar. E muito.
Conclusão realista : A melhor solução é desligar a TV, já que em outro canal a situação não muda muito. E fim de discussão.